Monday, October 19, 2009

Válvula de escape


Figura cristalina do olhar
Focaliza cantos e ações
Dilata, repentina, a retina
Frente a arte e suas produções

Desenha, sem saber, até um Deus
Invade privacidade das maiores sensibilidades
No entanto, todo enfoque tem em tento
Não ferir ou perfurar o fimamento

Cria-se cores, sabores onde não há
Rancores, desamores que instigam
Viajar na fantasia e enrolar
Esculpindo com gozo e peleja o angustiar

» pressão que dói e quer ser exaurida → impossibilidade → escape → poema

Thursday, October 15, 2009

Infância tanta


Uma época dum mundo gigante
Uma época dum mundo distante


Um caminho de vivências tantas
Carregadas de afetos e mantas

Naquele mundo cabiam os desejos
Que hoje extravasam os poros
Ampliaram-se os ensejos

Contudo no coração eu choro
Ainda como antes e tanto
Esperando o conforto de teu manto

Saturday, September 26, 2009

Centelhas de lucidez


Oh sacra ignorância
Deixe-me
Saudosa, em canto
Dolente por tanto encanto
Escapa-me

Lépido ar refestelado
Aninhado à cômoda inércia
De todo em separado
Ante as convulsões de minha solércia

Procuro com ânsia por toda parte
Pardelhas com santa boa-vontade
Por onde andas, mundo, que já é tarde
Da minha pessoa, ser, alguma parte?

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Wednesday, September 9, 2009

Medo!


Renasce angústia, ansiedade, solitude, incompreensão...
Oh, Senhor! Onde eis de estar minha razão?
Ou seria desrazão? ... aflição, sem dúvida!
Fumo? Tomo rivotril? Ah!
Qual seria a menos pior opção?
Quem terá a solução? Muita mágoa no coração.
Paralizante má água escorrendo pelo rio de lágrimas
Inexistentes em meu olho físico,
Ardentes na visão do espírito!

Wednesday, September 2, 2009

Pena


A correria de meu sangue nos membros
Atropela-me o pensamento

No limbo espero por entre mil acentos
Pela minha sentença no firmamento

Ácida, áspera, plácida
Desconcertante acrania processante

Indaga-me pelo eixo,
Forte seguro a pilotar

Dou-lhe um beijo
E a deixo me massacrar

Tuesday, September 1, 2009

Sombrinhas de Sol





Palavras faltam-me
Palavras machucam-me
Palavras punem-me
Palavras resgatam-me

Onde estou?
Que sou?
Por onde andei?
O que sei?

Falhas, atos, lembranças
Mosaico de loucas andanças
O que será "balanças"?

Falas, "sapos", reveses
Rodadas cem vezes
O que me acorda às vezes?


Thursday, August 6, 2009

Noite de Insônia Simultânea




Quando percorri os labirintos noturnos dos meus sonhos
Percebo meu olhar escancarado e a perda do brio de minha tez
Renascendo de manhã, sem pesar, sem pesares...
Ajunto os grãos, faço um café forte


Que aliviam meus órgãos perdidos nas garras do Hades.
Em vigílias insustentáveis, ando de noites a luares
Enfureço ao ver que não o esqueço, charmoso, carinhoso; desmonto
Minha farça de mentir que ele nada vale; tanto salvou desolados e oprimidos

Admito, por fim: sim, ele salvou a mim, fez-me vigorosa e confiante
Vou lá, ensaio um toque à porta, esqueço o orgulho
Vulnerável, quase chorando,
Chamando-o de volta à minha felicidade

De amar, sonhar, viver.