Quando penso no sentir, desencanto
Perco-me nas asas do fluir vital
Apatia, carência de um ser humano
A apaziguar a desordem tal
Como a incompletude feminil
Espetando o coração em tristeza
Pulsações pelo sangue e a mil
Mostra a fragilidade acesa
Emoção infantil, cerne sutil
Acordado pela dor, dilacera
Espedaça máscaras de vã cera
Superfície perde o que assumiu
Invade, uma aura de abstração mor
Intentando mover algo com amor
~
Saturday, December 11, 2010
soneto triste
Lost Nigth

embolados em verde-água-morta do estômago em prosa.
Coração em sangue de menstruação bifurcando o cerebelo na caída diante o espelho
deformado de hóstia regurgitada, ossos estiolados, carnes que não comi, vidas que não vivi
pela boca do estômago esmagado, dolorido, esvaziado em fatigados fluidos
Restos de álcool queimado no fogo do cigarro apagado na epiderme
a marcar dor sem física sensação
Umidade branca seca dos orifícios esvaindo-se
até só cuspir ar que respira sem oxigenar nos espasmos do vomitar o Nada
O que sobra até esperada ressaca sóbria da manhã de culpa estiolada.
No Nada Sou.
Afetações

A sensação de abandono reina
Neste mundo circunspecto
A aflição é plena
Ilha de dúvidas e ignorância
Caracterizam minha andança
Sem ser humana
Sem ser humano
Ah! Chuva que me desvela
Deixa meu coração com frio
E tudo de mim revela
A solitude traz calafrios
Mas nem tudo se perde
Pois o tudo está já vazio
Cada letra que escrevo dói como espeto
A sensação de abandono reina
Neste mundo circunspecto
A aflição é plena
Ilha de dúvidas e ignorância
Caracterizam minha andança
Sem ser humana
Sem ser humano
Ah! Chuva que me desvela
Deixa meu coração com frio
E tudo de mim revela
A solitude traz calafrios
Mas nem tudo se perde
Pois o tudo está já vazio
Ela

No Sol do inverno tropical
com o vento enviando arpões
aranhas tecendo suas teias
agouro da destruição no início do temporal
Cai a noite, um feixe de luz surge
acaricia a mistério, escuro, sujo
uma calma reclina sobre a cama
balançando susurros: - ele te ama!
No torpor do silêncio, ambiente vazio
o último grito estridente, frio
é Ela, vem mansa e depressa
Encobre o corpo, abala a respiração
finaliza seu golpe, para o coração
o olhar escncara a morte e sua presa
Thursday, July 8, 2010
Caminhando para o Fim - Pena de Morte
à frente, interminável corredor
atrás, três bruta seres a cacetete
aos lados, vista listrada, ferrada
barulhos metálicos contra as verticais
vozes entrecortadas, cruzadas, queimadas
passos extra sombrios, articulados, arbitrários, intermináveis
bem no fundo, fungados, choros animais
espia modesto o novo lar
expia com protesto seu velho ar
dia, hora, ano, modo
é marcado o Final
crianças rangendo dentes
ante a cadeira do dentista
eis o equivalente
a esses míseros - é, não dista
Saturday, April 3, 2010
Medo
Renasce angústia, ansiedade, solitude, incompreensão...
Oh, Senhor! Onde eis de estar minha razão? Ou seria desrazão?
...aflição, sem dúvida! Fumo? Tomo rivotril? Haha! Qual a menor pior solução?
Muita mágoa no coração! Paralizante má água escorrendo pelo rio de lágrimas inexistentes em meu olho físico, ardentes na visão do espírito!
"O que eles cantam, se pássaros
É diferente de todos
Cantam numa linha baixa
Com voz de pássaro rouco"
João Cabral de Melo Neto
E lá vou eu a repetir em pensamento:
"É preciso um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante." Nietzsche
E dá-lhe, mistério dolente!
Saturday, November 21, 2009
No fundo

Um dia fui um embrião. Conheci o desespero de ser lançada num mundo que me desentende.
A feminilidade sadia se esvai
Quando a identidade é estranha
E mesmo na nefanda sanha
Nada de vida e brio a atrai
Maior e ignoto é o próprio perigo
De ignorar de si e do outro
Que outrora era o mundo e foi-se embora
Carência de um bem-querer
Um saber que se é gente
Um sentir em si o prazer
Do estar em corações presente


