Saturday, December 11, 2010

Afetações


Cada letra que escrevo dói como espeto
A sensação de abandono reina
Neste mundo circunspecto
A aflição é plena

Ilha de dúvidas e ignorância
Caracterizam minha andança
Sem ser humana
Sem ser humano

Ah! Chuva que me desvela
Deixa meu coração com frio
E tudo de mim revela

A solitude traz calafrios
Mas nem tudo se perde
Pois o tudo está já vazio

{...}


Cada letra que escrevo dói como espeto
A sensação de abandono reina
Neste mundo circunspecto
A aflição é plena

Ilha de dúvidas e ignorância
Caracterizam minha andança
Sem ser humana
Sem ser humano

Ah! Chuva que me desvela
Deixa meu coração com frio
E tudo de mim revela

A solitude traz calafrios
Mas nem tudo se perde
Pois o tudo está já vazio

{...}

Ela


No Sol do inverno tropical
com o vento enviando arpões
aranhas tecendo suas teias
agouro da destruição no início do temporal

Cai a noite, um feixe de luz surge
acaricia a mistério, escuro, sujo
uma calma reclina sobre a cama
balançando susurros: - ele te ama!

No torpor do silêncio, ambiente vazio
o último grito estridente, frio
é Ela, vem mansa e depressa

Encobre o corpo, abala a respiração
finaliza seu golpe, para o coração
o olhar escncara a morte e sua presa

Thursday, July 8, 2010

Caminhando para o Fim - Pena de Morte



à frente, interminável corredor
atrás, três bruta seres a cacetete
aos lados, vista listrada, ferrada

barulhos metálicos contra as verticais
vozes entrecortadas, cruzadas, queimadas
passos extra sombrios, articulados, arbitrários, intermináveis

bem no fundo, fungados, choros animais
espia modesto o novo lar
expia com protesto seu velho ar

dia, hora, ano, modo
é marcado o Final
crianças rangendo dentes

ante a cadeira do dentista
eis o equivalente
a esses míseros - é, não dista

Saturday, April 3, 2010

Medo






Renasce angústia, ansiedade, solitude, incompreensão...
Oh, Senhor! Onde eis de estar minha razão? Ou seria desrazão?

...aflição, sem dúvida! Fumo? Tomo rivotril? Haha! Qual a menor pior solução?

Muita mágoa no coração! Paralizante má água escorrendo pelo rio de lágrimas inexistentes em meu olho físico, ardentes na visão do espírito!

"O que eles cantam, se pássaros
É diferente de todos
Cantam numa linha baixa
Com voz de pássaro rouco"
João Cabral de Melo Neto

E lá vou eu a repetir em pensamento:
"É preciso um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante." Nietzsche

E dá-lhe, mistério dolente!



Saturday, November 21, 2009

No fundo


Um dia fui um embrião. Conheci o desespero de ser lançada num mundo que me desentende.

Natureza, minha bela mãe
Por que se esconde no infinito
Quando de ti tanto preciso
Vendo meu ser que dói e cai

A feminilidade sadia se esvai
Quando a identidade é estranha
E mesmo na nefanda sanha
Nada de vida e brio a atrai

O pavor é grande e nocivo
Maior e ignoto é o próprio perigo
De ignorar de si e do outro
Que outrora era o mundo e foi-se embora

Carência de um bem-querer
Um saber que se é gente
Um sentir em si o prazer
Do estar em corações presente
,

Monday, October 19, 2009

Válvula de escape


Figura cristalina do olhar
Focaliza cantos e ações
Dilata, repentina, a retina
Frente a arte e suas produções

Desenha, sem saber, até um Deus
Invade privacidade das maiores sensibilidades
No entanto, todo enfoque tem em tento
Não ferir ou perfurar o fimamento

Cria-se cores, sabores onde não há
Rancores, desamores que instigam
Viajar na fantasia e enrolar
Esculpindo com gozo e peleja o angustiar

» pressão que dói e quer ser exaurida → impossibilidade → escape → poema

Thursday, October 15, 2009

Infância tanta


Uma época dum mundo gigante
Uma época dum mundo distante


Um caminho de vivências tantas
Carregadas de afetos e mantas

Naquele mundo cabiam os desejos
Que hoje extravasam os poros
Ampliaram-se os ensejos

Contudo no coração eu choro
Ainda como antes e tanto
Esperando o conforto de teu manto